Foi lançado nesta segunda-feira (30), em Goiânia, o Movimento Reciclar, pacto que reúne diversos entes com a meta de ampliar os índices de coleta e reciclagem de resíduos que podem ser reaproveitados. A capital chegou a ser a 3a do País em coleta de recicláveis, alcançando 7% do volume disponível, mas hoje só pega 1,8%. A proposta é de que em 2026 o volume chegue a 10% e em 2033, quando Goiânia fará 100 anos, a 50%. Um plano de ação está em curso para isso ocorrer na prática.
O Movimento Reciclar é uma iniciativa do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico da Região Metropolitana de Goiânia (Codese) em parceria com o Sistema OCB/GO, o Sebrae Goiás e o Fórum das Entidades Empresariais (FEE). Também se uniram à proposta instituições públicas, privadas e acadêmicas. O lançamento, na sede da OCB/GO, reuniu o prefeito Sandro Mabel (UB) e representantes das 12 cooperativas de trabalhadores que atuam no segmento e das instituições parceiras. Entre os desafios, está a conscientização da população para voltar a separar o material para a coleta seletiva.
Até o início de 2024, a Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia (Comurg) era a responsável pela coleta de materiais recicláveis e continuou executando o trabalho parcialmente até outubro, quando o consórcio Limpa Gyn assumiu a função conforme contrato assinado com a Prefeitura. “Chegamos a ficar quatro meses sem receber nada de material, rotas foram alteradas”, relata Nair Rodrigues, da Cooperativa de Trabalho de Catadores de Material Reciclável Dom Fernando (Cooprec), que reúne 27 pessoas. “Nossa esperança é que agora seja tomado um rumo melhor.”
Após a cerimônia de lançamento, foi realizada no período da tarde uma reunião técnica para definir o plano de ação. “Esse projeto não depende tanto de recurso financeiro, mas de uma política para estimular”, disse o presidente da OCB/GO, Luis Alberto Pereira. Desde o início do mês, houve uma movimentação para que a Comurg retomasse o serviço por estar envolvida no processo desde que a coleta seletiva foi implantada em Goiânia, em 2008. No evento desta segunda, Sandro Mabel chegou a sugerir que as próprias cooperativas assumam a coleta, subsidiadas pela Prefeitura, ideia defendida pelo promotor de Justiça da área, Juliano Barros de Araújo, e pela própria OCB.
O plano de ação, entretanto, será desenhado pelo grupo técnico, com a participação das próprias cooperativas. “Estamos aqui para apoiar as cooperativas. O fato de a Prefeitura assinar esse pacto, com as entidades o apoiando, aumenta a possibilidade de isso ir adiante. Após o projeto elaborado, vamos empreender as ações necessárias. São três vertentes que pesam nisso: a ambiental, porque muito do material não recolhido vai para as ruas, rios e bocas de lobo; a econômica, porque esse material vale dinheiro e não é pouco; e a social, porque sustenta várias famílias”, ressaltou o presidente da OCB/GO. As 12 cooperativas de material reciclável de Goiânia são vinculadas ao sistema.
O Movimento Reciclar está estruturado em cinco etapas: mobilização de parceiros; educação ambiental; estruturação da coleta seletiva; fortalecimento da infraestrutura logística; e integração com a indústria, incluindo ações de logística reversa. Presidente da Cooperativa dos Catadores de Material Reciclável Reciclamos e Amamos o Meio Ambiente (Cooper Rama), com 22 trabalhadores, Dulce Helena do Vale participou dos debates na OCB/GO. “Estou aqui para defender um direito que é nosso. É lamentável que tenhamos saído de um programa de anos, que vinha se aperfeiçoando, para voltar quase à estaca zero.”