
Ao produzir em um único evento 10% dos resíduos que a cidade inteira produz em um dia, o MotoGP Goiânia revelou o custo oculto do lixo para o bolso da população e para o futuro da cidade. Levantamento recente do município contabiliza o valor de R$ 600 para cada tonelada de recicláveis enterrada com o lixo comum. As 20 toneladas de recicláveis retiradas do evento esportivo pelo Movimento Reciclar evitaram que R$ 12 mil fossem jogados no lixo – ou seja, representou uma redução de custos para a cidade.
O prejuízo financeiro também atinge a saúde pública. A sujeira do lixo pode gerar custos, a médio e longo prazos, nos postos de saúde e hospitais, com a queda da qualidade do ar da cidade. A explicação é que o aterro da capital produz, em um único dia, gazes de efeito estufa equivalentes a 25 mil veículos a diesel funcionando durante dez horas ininterruptas, segundo o levantamento do município.
O Movimento Reciclar tem como objetivo participar de grandes eventos, para mostrar que enterrar recicláveis prejudica o meio ambiente, enfraquece a economia e aprofunda desigualdades. Ao mostrar esses números na prática, a experiência do Reciclar no evento de motociclismo joga luz para um debate inadiável. Os resíduos que gestões públicas insistem em enterrar são, na verdade, uma riqueza que poderia financiar transporte limpo, reduzir custos industriais, proteger o clima e ajudar a colocar comida na mesa de quem mais precisa.